sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Relato de parto

Relato de parto


Na noite do dia 10 de agosto, ao levantar para ir ao banheiro, senti umas fisgadas estranhas na barriga.

Eu já estava de repouso,  pois no dia anterior minha GO me disse que eu estava com 3 dedos de dilatação. E já havia perdido o tampão mucoso.

Estava também usando remédio para não ter mais contrações.
Como estava só com 32 semanas de gestação minha médica me orientou que "qualquer coisa" diferente que acontecesse eu deveria ir para um hospital  em Porto Alegre, já que aqui em Guaíba não tem CTI neonatal.

Lembro que quando estava saindo da consulta, virei-me e perguntei:" - Dra, que tipo de qualquer coisa???" e ela me disse:"qualqer coisa tipo contrações muito seguidas ou sangramento... nestes casos tu me liga e corre para o hospital Divina Providência.”

A consulta foi na terça dia 10 de agosto. Saí do consultório direto para a farmácia para comprar as injeções de corticóide. Apliquei duas doses da injeção e as outras duas apliquei no dia seguinte já no hospital.

Pois bem, na noite do dia 10 senti as tais "fisgadas" que comentei no começo.


Fomos dormir e eu não conseguia relaxar e pegar no sono,  pois “parecia” que estava tendo contrações.
Fiquei lendo e vendo tv até que de fato entendi que eram realmente contrações.
Tive medo!
Lembro que orei:"SENHOR vou acordar o Flavio e se de FATO for contração e não coisa da minha cabeça, então q ele me ajude a discernir."  E orei também pedindo q Deus me desse serenidade.
O Flavio acordou e realmente eram contrações. Eu estava tendo contrações (mas sem dor) a cada 11 minutos. O Flavio então ligou para a médica.
Em poucos minutos minha cunhada Patricia estava na minha casa, arrumando minhas coisas... e eu deitada, olhando tudo e tentando me preparar o fato de que meu bebê nasceria pematuramente
Ás 4h dei entrada no hospital... sem câmera fotográfica, sem chapinha ou escova no cabelo, sem fotos em casa e no caminho da maternidade, sem depilação feita a cêra, sem pijama novo, sem nada do que sonhei e com um monte de dúvidas... 
No hospital (já era dia 11/08-madrugada) fui submetida a uma série de exames... muitos que nem sei o nome... tudo foi muito de repente...

De manhã cedo, lá pelas 7h minha médica foi me ver e solicitou mais exames.

A ideia dela era me manter internada em repouso absoluto por pelo menos mais duas semanas.

Porém à noite, já no quarto, apesar dos remédios e do repouso, tive várias contrações... foi uma correria... entraram em contato com minha médica, me examinaram e contataram que eu já estava em trabalho de parto... chorei de medo de perder meu bebê tão pequeno...


Me levaram para a sala de pré parto (que depois apelidei de sala das contrações rsrsrsrs) e lá permaneci toda a noite e todo o dia seguinte...

De manhã cedo fizeram mais exames e a enfermeira chefe veio me avisar que minha cesárea seria às 20h.

Bom! Não sei explicar... eu sabia que seria o momento mais lindo da minha vida... mas ... e como seria o depois????? Muitas perguntas vinham sem parar... será que meu bebê vai nascer bem? quanto tempo vai ficar na CTI??? vai sobreviver???

Quando já estava prestes a entrar para o centro cirúrgico minha obstetra veio conversar comigo e com meu esposo.


Bah!!! Foram palavras duras... duras mesmo... ela nos disse sem medir as palavras que não sabia como nasceria o nosso bebê, que as perspectivas não eram boas, que a realidade de CTI era muito desgastante e sofrida, que ver um bebê entubado era muito difícil, mas q nós devíamos nos preparar para tudo isso...

Quando ela saiu da sala eu falei para o meu marido e mais tarde repeti estas mesmas palavra para a médica "Ela não precisava ter sido tão cruel conosco"... Segurei a mão do Flavio chorei e orei. E graças a DEUS o Davi nunca foi entubado.
Na hora da cesárea eu estava muito tranquila... brinquei, ri, contei até piada. Senti um pouco de enjoo e meu nariz congestionou bastante, daí falava para o anestesista e ele resolvia.

O Flavio ali do meu lado bem nervoso... E de repente ouvi a médica dizer "Pai, levanta e olha que vai nascer!!!"

O anestesista empurrava tanto minha barriga... parecia que minha barriga estava encostando no teto da sala hehehehe ... até que ouvi o chorinho mais lindo do mundo!!

A pediatra pegou o Davi e andava pra lá e pra cá dizendo "Vem pai! Vem pai"! E o Flavio registrando tudo num mp5 que, na correria, lembrou de pedir emprestado.

Eu vi meu filho por um momento bem curto, mas o amei tanto, tanto, tanto... Fiz quase um culto de tanto que dizia "Obrigada, obrigada, obrigada meu Deus!" senti q tudo daria certo... e não chorei!

A recuperação foi super tranquila. Só tive umas tremedeiras nos braços, mas que em seguida passaram.

Fui para o quarto de madrugada e já veio uma dieta líquida pra mim.

De manhã tomei banho e fui ver o Davi.

Lindo... lindo... lindoooooo ... e eu só podia olhar... olhar... olhar... e amar meu pequeno guerreiro que nasceu com 1,790kg e 42cm.

Bom! Depois começou a saga de ir ao hospital todos os dias. Foram os dias mais tristes da minha vida. Muitas vezes, apesar de orar tanto, me vinha o pensamento de que talvez ele não sobrevivesse e então teria que engravidar novamente... então chorava mito ao lado da incubadora e em pensamento dizia pra Deus: "SENHOR eu não quero OUTRO filho... eu quero ESTE... eu quero este gurizinho aí..."


E os dias foram passando... e cada dia tínhamos alguma novidade.

Todas as manhãs a caminho do hospital eu mentalizava o Salmo 90.14 "Sacia-nos de manhã com a tua benignidade, para que cantemos de júbilo e nos alegremos todos os nossos dias. Alegra-nos por tantos dias quantos nos tens afligido..."

Na verdade nunca sabíamos se a novidade do dia seria boa ou não.

Apesar da transfusão de sangue, da infecção generalizada, da demora para estabilizar a freqüência respiratória, graças a DEUS as vitórias foram muitas e no dia 04 de setembro, finalmente trouxemos nosso filho para casa, pesando 2,215kg.
E aqui está o meu pequeno guerreiro, que já chegou vencendo gigantes!