Quando nasceste, senti a maior alegria e a maior dor da minha vida, pois saí do hospital sem te trazer em meus braços…
A partir daí foram 21 dias de idas e vindas para te visitar no hospital.
Quando retornava para casa só sentia o vazio de não estar contigo… tudo era vazio… tudo era tristeza… Ficou um vazio no berço, no carrinho, na casa. Ficou um vazio na minha barriga e um vazio imenso no meu coração.
Nas andanças pela cidade, ao ver as mães andando de mãos dadas com seus meninos ou carregando um bebê nos braços enrolado em uma mantilha azul, virava o rosto para que teu pai não percebesse a tristeza em meus olhos.
Mas magicamente quando te via na incubadora, mesmo sem nunca ter te segurado no colo, parece que toda dor sumia… passava a mão em teu corpo pequeno e frágil e admirava tua força… estva num momento de aparente derrota e via a vitória emanar de ti… Teu pai e eu dávamos as mãos e as outras duas colocávamos sobre a incubadora, como se estivéssemos segurando tuas mãozinhas e orávamos fervorosamente a Deus, mesmo que em silêncio.
Filho amado! Como ficaríamos felizes se não podíamos te trazer para casa?
E no silêncio que me cercava ou no choro baixinho antes de dormir eu dizia: “Deus! Cuida do meu gurizinho… Cuida deste menino com quem tanto sonhei… Cuida deste piazinho dos meus sonhos… aquele que já fazia parte da minha vida desde a infância, quando eu embalava minhas bonecas enquanto cantava para elas…”
E Deus cuidou do nosso pequeno!
E dia após dia a tristeza foi indo embora…
E o Flavio e eu já sonhávamos com o dia de te trazer para casa, pois tu estavas crescendo e já estavas ficando bem forte.
Quando saíste da incubadora e foste para o berço fizemos uma festa! Pois daí em diante tu já usavas roupinhas e podíamos te pegar no colo a toda hora.
Quando tiraste a sonda fizemos outra festa! Ligamos para o pessoal da Igreja, para os amigos e parentes e todos vibraram porque tu já estavas bem grandinho e já se alimentava super bem.
Sabíamos que estava chegando o grande dia de te trazer conosco.
E finalmente o dia chegou! Foi dia 04 de setembro. Era sábado e a felicidade nos aquecia naquele dia frio.
Escolhi tua roupa e imaginei como tu ficarias lindo ali dentro.
E agora tu já estás completando dois meses… te vejo lindo e crescendo… um menino esperto que amo incondicionalmente.
Teu pai e eu temos hoje a imensa alegria de ter nossa família completa.
Tão bom te abraçar e, olhando teu rostinho lindo, cantar a música do Lázaro que diz “Foi Deus que me deu… tudo que eu tenho foi Deus que me deu!”
Davi! Tu trazes muita alegria para nós, tu enches nossa vida de luz e nossos dias de sonho… por tudo isso , teus pais, não temos outra coisa para dizer a DEUS senão do que repetir inúmeras vezes: OBRIGADA, OBRIGADO!!!
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