sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

A PRIMEIRA VEZ NO COLO DA MAMÃE


            Eu recebi alta do hospital no dia 14 de agosto de 2010 e meu bebê precisou ficar na CTI. No dia seguinte teve início a nossa trajetória de percorrer diariamente o caminho até o Hospital Divina Providência.
            Foi muito triste pra mim e pro meu esposo.
            Eu, ainda com os pontos da cesárea, ia todos os dias, caminhava nos corredores enormes e  nem me dava conta disso. Eles simplesmete não doíam, pois o que doía era minha alma. As outras pessoas me lembravam o tempo todo que eu precisava fazer repouso, então de vez em quando, eu parava e me deitava.
            A chegada no hospital, especialmente na CTI, era muito dolorosa e sofrida nos primeiros dias.
            Entrávamos e tínhamos todo o ritual de deixar nossos pertences no armário, colocar o jaleco e higienizar bem as mãos. Quando eu sentia aquele cheiro do sabonete de lá, meu corpo já estremecia todo. Precisava sempre do abraço e do apoio do Flavio para quem eu sempre dizia: “Vai tu na frente...”
            Já na parte da CTI tínhamos que novamente higienizar as mãos e eu fazia isso com o olhar fixo na incubadora número  3 pra ver se meu bebê estava por ali.
            E assim foi por vários dias: chegávamos, falávamos com a médica ou enfermeira sobre o quadro geral dele, quando elas nos liberavam abríamos a portinha da incubadora e ficávamos tocando em seu corpinho, sempre orando e nos fortalecendo mutuamente.
            Até que um dia, lembro bem, era dia 18 de agosto e quem estava de plantão era a Dra. Bruna, que sempre foi muito carinhosa conosco. A Dra. Bruna passou por mim e perguntou: “Mãezinha, já segurou teu bebê hoje?” Então, eu com a voz embargada disse: ”Dra, eu nunca peguei ele no colo.”
            Ela então chamou a Téc. de Enfermagem Mariana e disse: “Pode dar o bebê pra mamãe segurar um pouco.”
            Foi muito lindo!!!
            Choro ainda agora quando lembro da cena: Ele só de fraldinha... Então enrolaram ele num coeiro e me deram com todo cuidado pra que eu pudesse segurar um bebê que devia ter 1,800Kg. Havia ainda muitos fios e aparelhos então tínhamos que ter toda atenção possível.
            O Flavio ficou sentado num banquinho em frente da poltrona que eu estava  com o Davi afirmando o tempo todo com os olhos cheios dágua: “Coisa linda... coisa linda...”
            E foi mesmo muito lindo.
            Foi neste dia também que minha amiga Inajara pôde segurar a Sophia em seus braços pela primeira vez.
            Eu queria ficar lá por mais e mais tempo... era maravilhoso sentir seu cheirinho e ouvir sua respiração bem pertinho do meu peito.
            Neste dia saí feliz e muito grata a Deus!
            Jamais vou esquecer o primeiro colinho que pude dar ao meu amor chamado Davi. Jamais vou esquecer o colo amoroso de Deus que pude presenciar em cada dia difícil.

Um comentário:

  1. q emoção né si? um ser tão frágil e ao msm tempo tão forte, pois foi ao ver ele que vcs tiveram forças para lutar, isso eu tenho certeza.

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